Ainda hoje somos forçados a deixar de sermos índios. Sempre nos impuseram isso, desde que chegaram aqui pelas portas abertas do litoral baiano. Daqui das praias do Nordeste até os confins do Norte, Centro-Oeste, passando por sertões, florestas e pantanais, os homens evoluídos do frio e velho-mundo nos forçaram a abandonar as nossas raízes. O pior e mais trágico de tudo isso é que nós aprendemos que o certo é sempre o do outro, desde a maneira de falar, andar, vestir, pintar, ou esculpir.
Tragédia mesmo é pensar que o tempo passou e já na modernidade ainda fomos compelidos a nos transformarmos no outro. Já fomos caricaturas grotescas de portugueses, franceses, ingleses, norte-americanos, mas nunca fomos índios, negros, ou mesmo mestiços. Será que aprendemos a ser antropófagos com a antropofagia? Tenho minhas dúvidas.
A contemporaneidade agora é quem nos reprime em pleno início de século XXI. Ainda somos obrigados a ser igual ao outro como há quinhentos anos. Nossa arte precisa ser igual, nossa arquitetura, nossa roupa, nosso sapato e assim por diante.
E enquanto isso nossos míseros costumes estão caindo na boca do mundo guloso do ostracismo. Nossas cores, nosso estilo, nossa textura; tudo substituído pela cor, pelo estilo e pela textura dos outros.
Pensar no futuro dentro dessa perspectiva é massacrante, mas o que me conforta é saber que, se hoje eles ainda tentam apagar nossas memórias, é porque elas ainda estão bem vivas.
Vitor Borges
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Fruto futuro do meu egoísmo
Não faço arte com pretensões de tentar mudar o mundo, apesar de algumas das minhas obras contraditoriamente desmentirem as minhas palavras. Obviamente que tenho preocupações sociais, afinal, sou brasileiro. Não há como ser diferente, e essa simples origem já explica muita coisa.
Acho muita pretensão afirmar que a minha arte seja capaz de melhorar uma sociedade, pois creio apenas em ações coletivas como solução para os entraves e moléstias sócio-culturais. Costumo dizer aos amigos mais próximos que uma única manifestação popular tem mais força pra mudar uma sociedade do que todas as obras de arte já concebidas.
Faço arte porque sou egoísta. Não crio pra agradar ninguém, mas a mim mesmo. Quando desenho, ou quando pinto, ou quando faço um vídeo, não me importo com o que o outro vai pensar, pois o outro, no momento da minha criação, não existe. Somente depois do ato consumado é que o outro passa a ter algum tipo de função, e se esse pretende me criticar, ou exaltar aquilo que faço, pra mim, pouco importa. Não vou deixar de criar a minha arte por nenhum desses motivos, por isso, convivo bem com o meu egoísmo.
De qualquer forma, o artista latino-americano parece carregar em seu DNA um espírito revolucionário alimentado pela própria história que perpassa desde tempos remotos, quando fomos colonizados, até os dias atuais. Não há como camuflar o inconformismo que um dia nos levou à “independência”; não há como ignorar a nossa formação escravocrata e coronelista; não há como fechar os olhos pra tudo isso e fingir que problemas não existem. Sofro com a impossibilidade de ser efetivamente mais útil. Partindo desse princípio, sinto inveja dos médicos e cientistas. Sinto não poder ajudar com a minha profissão da mesma forma que eles me (nos) ajudam. Sou apenas um artista, como retribuir à altura o que eles fazem por mim (nós)?
Eu, como homem e artista, sou apenas um elo entre o passado, o presente e o futuro, e não me sinto na obrigação de ser um exemplo a ser seguido. Além de parte da minha revolta social, a minha arte reflete, acima de tudo, o que eu sou mais profundamente, independente do que aconteça no mundo do convívio e da coletividade. Antes de mais nada, sou um indivíduo, e sem essa noção amplamente explorada não há como pensar em coletividade, mesmo sendo parte (fruto) dela. Não posso pensar somente em atacar os problemas coletivos enquanto os meus demônios ainda me consomem. Há muita coisa pra ser exorcizada. Eles são bravos e não desistem nunca, por isso, também preciso ser forte e é nesse momento que o meu egoísmo se apresenta, me protege e se transforma em arte. Se isso pode de alguma forma ajudar alguém, ou mudar o mundo, eu não sei. Sou apenas um artista, não sou um messias, ou santo. Não tenho poderes nem sou mágico, muito menos milagreiro. Apenas artista. Faço arte porque sou criança, e como todas, sou egoísta.
Meus passos não são para serem seguidos, pois eles levam a lugares turvos, por estradas turbulentas que somente eu tenho paciência de trilhar. Continuo envolto em meu egoísmo, e a minha arte, por mais que eu não queira, teima em ser aquilo que eu não consigo exprimir em palavras. Se a minha arte não consegue falar por si, não serei eu, com minhas frases toscas, quem vai trazer algum tipo maior de compreensão. Não consigo me distanciar da minha obra ao ponto de enxergá-la por inteiro. Ainda não a alcanço porque a sinto infinitamente maior que eu. Vejo apenas recortes, compreendo apenas as sutilezas, pois o todo, somente o outro pode enxergar.
Olhar para a minha arte é como olhar para o meu rosto numa fotografia 3x4. Nunca consigo compreender a imagem que vejo, mesmo que ela seja fruto da mais pura racionalidade.
Acho muita pretensão afirmar que a minha arte seja capaz de melhorar uma sociedade, pois creio apenas em ações coletivas como solução para os entraves e moléstias sócio-culturais. Costumo dizer aos amigos mais próximos que uma única manifestação popular tem mais força pra mudar uma sociedade do que todas as obras de arte já concebidas.
Faço arte porque sou egoísta. Não crio pra agradar ninguém, mas a mim mesmo. Quando desenho, ou quando pinto, ou quando faço um vídeo, não me importo com o que o outro vai pensar, pois o outro, no momento da minha criação, não existe. Somente depois do ato consumado é que o outro passa a ter algum tipo de função, e se esse pretende me criticar, ou exaltar aquilo que faço, pra mim, pouco importa. Não vou deixar de criar a minha arte por nenhum desses motivos, por isso, convivo bem com o meu egoísmo.
De qualquer forma, o artista latino-americano parece carregar em seu DNA um espírito revolucionário alimentado pela própria história que perpassa desde tempos remotos, quando fomos colonizados, até os dias atuais. Não há como camuflar o inconformismo que um dia nos levou à “independência”; não há como ignorar a nossa formação escravocrata e coronelista; não há como fechar os olhos pra tudo isso e fingir que problemas não existem. Sofro com a impossibilidade de ser efetivamente mais útil. Partindo desse princípio, sinto inveja dos médicos e cientistas. Sinto não poder ajudar com a minha profissão da mesma forma que eles me (nos) ajudam. Sou apenas um artista, como retribuir à altura o que eles fazem por mim (nós)?
Eu, como homem e artista, sou apenas um elo entre o passado, o presente e o futuro, e não me sinto na obrigação de ser um exemplo a ser seguido. Além de parte da minha revolta social, a minha arte reflete, acima de tudo, o que eu sou mais profundamente, independente do que aconteça no mundo do convívio e da coletividade. Antes de mais nada, sou um indivíduo, e sem essa noção amplamente explorada não há como pensar em coletividade, mesmo sendo parte (fruto) dela. Não posso pensar somente em atacar os problemas coletivos enquanto os meus demônios ainda me consomem. Há muita coisa pra ser exorcizada. Eles são bravos e não desistem nunca, por isso, também preciso ser forte e é nesse momento que o meu egoísmo se apresenta, me protege e se transforma em arte. Se isso pode de alguma forma ajudar alguém, ou mudar o mundo, eu não sei. Sou apenas um artista, não sou um messias, ou santo. Não tenho poderes nem sou mágico, muito menos milagreiro. Apenas artista. Faço arte porque sou criança, e como todas, sou egoísta.
Meus passos não são para serem seguidos, pois eles levam a lugares turvos, por estradas turbulentas que somente eu tenho paciência de trilhar. Continuo envolto em meu egoísmo, e a minha arte, por mais que eu não queira, teima em ser aquilo que eu não consigo exprimir em palavras. Se a minha arte não consegue falar por si, não serei eu, com minhas frases toscas, quem vai trazer algum tipo maior de compreensão. Não consigo me distanciar da minha obra ao ponto de enxergá-la por inteiro. Ainda não a alcanço porque a sinto infinitamente maior que eu. Vejo apenas recortes, compreendo apenas as sutilezas, pois o todo, somente o outro pode enxergar.
Olhar para a minha arte é como olhar para o meu rosto numa fotografia 3x4. Nunca consigo compreender a imagem que vejo, mesmo que ela seja fruto da mais pura racionalidade.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Olhares em Trânsito - Mostra fotográfica
GOELABAIXO - vídeo-produção - contato: goelabaixovideo@hotmail.com
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Fotos da performance PÚBLICO PROTAGONISTA realizada no Campo Grande
Imagem: Ludmila Aquino / Performance de Vitor Borges

















A proposta da performance PÚBLICO PROTAGONISTA é utilizar o espaço público como ponto de partida para discutir questões pertinentes ao próprio espaço público. Ele é tema, objeto e suporte imaginário da obra. O protagonista ao qual o trabalho se refere é o espaço público, mas ao mesmo tempo aponta para o “público” (cidadão comum) que teve a oportunidade de presenciar a ação que foi realizada na Praça do Campo Grande, em Salvador, Bahia, ou de assistir ao vídeo na internet. Tanto o espaço público quanto o público (transeuntes), são protagonistas de uma mesma estória, e ao mesmo tempo, contraditoriamente, são anônimos (figurantes) e passam despercebidos no feérico filme da vida contemporânea.
O espaço público é ocupado constantemente de forma indevida e de diversas maneiras, desde a utilização de um outdoor, ou cartazes que poluem a cidade, passando pelos mendigos e moradores de rua, até os camelôs que são constantemente motivo de discussão em algumas mídias. Em contrapartida, sobre a desocupação indevida do espaço público pouco se comenta, e esse é o ponto que mais interessa dentro do conceito da obra.
Os grandes empreendedores do ramo imobiliário criaram a teoria de que vale a pena se trancafiar num condomínio repleto de privilégios. Hoje em dia os condomínios não se resumem apenas a casas, quadras esportivas e piscinas, eles vão além. A cada dia que passa o leque de possibilidades vem aumentando, onde alguns mega-empreendimentos são compostos de boates, escritórios, parques, bibliotecas, restaurantes e etc. Tudo para o conforto do cidadão que pode pagar por isso e que está cansado da violência e más condições do espaço urbano público. Eles procuram nos condomínios o conforto e a segurança que não encontram na esfera pública. Eles criaram "cidades" (microorganismos) quase auto-suficientes dentro das grandes cidades que estão à deriva. São novas regras, novas fórmulas de convivência, novo ritmo. Fugindo da “cidade real”, onde todos os conflitos sociais reverberam, eles se iludem achando que estão se protegendo do caos que tomou conta das metrópoles, mas por mais que eles tenham proteção e conforto em seus domínios, freqüentar a cidade ainda é inevitável, e uma vez solto na selva de pedra, todos nós somos alvos em potencial.
À medida em que nos afastamos do espaço público abrimos brecha para que todo tipo de violência e descaso povoe esses lugares. Por que motivo o estado forneceria segurança a uma praça pública moribunda? Quando nos afastamos do espaço público pagamos um preço muito caro por isso, e não adianta teorizar e exigir melhorias de dentro de nossas casas, no conforto do nosso lar. Para o espaço público voltar a ser público é preciso que os cidadãos provem que esse espaço é importante pra sociedade, caso contrário, nada será alterado. O ciclo que começou com a iluminação eficiente dos espaços públicos, que enfim foram descobertos e desfrutados, parece entrar numa nova era. Dessa vez, de degeneração, pelo menos dentro da realidade social brasileira e baiana (Soteropolitana) especificamente, pois cada sociedade se relaciona de forma distinta com os seus espaços comuns, impossibilitando qualquer tipo de generalização.
O “projeto condomínio” é uma idéia que já nasce morta, ou pronta para matar a “cidade real” que será cada vez mais ocupada pela intolerância e informalidade. Não importa se a cidade está entregue às traças, ou mal iluminada, ou sem a mínima segurança, pois de dentro dos muros rodeados por câmeras e cercas elétricas a realidade é mais branda. É como se o problema fosse sempre do outro, e enquanto o outro não apresenta soluções, cada um cria a sua. Crianças criadas nesses condomínios não estão sendo preparadas para enfrentar o mundo, mas para fugir dele. A cidade será uma estranha para essa geração que nasce junto com a internet e os condomínios superestruturados. Ir à “cidade real” corre o risco de se tornar uma grande aventura, onde cada passo pode ser o último e cada esquina terá cheiro de morte. Dessa maneira não pode haver ligação íntima entre cidade e cidadão, que propiciaria o ânimo para cada um cuidar e proteger aquilo que é bem comum de todos. Não podemos conhecer um país se não caminharmos tranquilamente sobre as suas ruas, não podemos criar vínculos afetivos sem o contato e a convivência.
Quem pode paga por uma cidade segura (condomínios), quem não pode se contenta com a “cidade real” – separatismo evidente, e para muitos, inevitável. Dentro do espírito individualista de ver o mundo o espaço público é descartável, ou melhor, é a morte de qualquer coisa que simbolize a coletividade, palavra que está mudando de significado constantemente e que talvez, nesse momento da história, esteja passando por uma de suas mais significativas mutações. O que hoje para nós significa coletividade, amanhã não terá mais sentido, sendo assim, a própria performance em questão passará a ser analisada através de outra perspectiva, quando novos conceitos e significados serão incorporados e emitidos pela própria sociedade, como a coletividade virtual, que suga as pessoas da vida urbana real, apesar de também apresentar seus benefícios.
Há uma frase interessante do cineasta Gustavo Acioli que não sei definir exatamente se é um pensamento otimista, ou pessimista. Talvez as duas coisas, é como a história do copo meio-cheio, ou meio-vazio, depende do ponto de vista de cada um. A frase diz o seguinte: "As chances das coisas melhorarem, são iguais as chances das coisas piorarem."
Quem define o rumo dos acontecimentos é o coletivo, e se hoje vivemos essa realidade a culpa recai sobre cada um de nós, inclusive sobre o artista que vos escreve, tão torpe e complacente quanto qualquer um.

















A proposta da performance PÚBLICO PROTAGONISTA é utilizar o espaço público como ponto de partida para discutir questões pertinentes ao próprio espaço público. Ele é tema, objeto e suporte imaginário da obra. O protagonista ao qual o trabalho se refere é o espaço público, mas ao mesmo tempo aponta para o “público” (cidadão comum) que teve a oportunidade de presenciar a ação que foi realizada na Praça do Campo Grande, em Salvador, Bahia, ou de assistir ao vídeo na internet. Tanto o espaço público quanto o público (transeuntes), são protagonistas de uma mesma estória, e ao mesmo tempo, contraditoriamente, são anônimos (figurantes) e passam despercebidos no feérico filme da vida contemporânea.
O espaço público é ocupado constantemente de forma indevida e de diversas maneiras, desde a utilização de um outdoor, ou cartazes que poluem a cidade, passando pelos mendigos e moradores de rua, até os camelôs que são constantemente motivo de discussão em algumas mídias. Em contrapartida, sobre a desocupação indevida do espaço público pouco se comenta, e esse é o ponto que mais interessa dentro do conceito da obra.
Os grandes empreendedores do ramo imobiliário criaram a teoria de que vale a pena se trancafiar num condomínio repleto de privilégios. Hoje em dia os condomínios não se resumem apenas a casas, quadras esportivas e piscinas, eles vão além. A cada dia que passa o leque de possibilidades vem aumentando, onde alguns mega-empreendimentos são compostos de boates, escritórios, parques, bibliotecas, restaurantes e etc. Tudo para o conforto do cidadão que pode pagar por isso e que está cansado da violência e más condições do espaço urbano público. Eles procuram nos condomínios o conforto e a segurança que não encontram na esfera pública. Eles criaram "cidades" (microorganismos) quase auto-suficientes dentro das grandes cidades que estão à deriva. São novas regras, novas fórmulas de convivência, novo ritmo. Fugindo da “cidade real”, onde todos os conflitos sociais reverberam, eles se iludem achando que estão se protegendo do caos que tomou conta das metrópoles, mas por mais que eles tenham proteção e conforto em seus domínios, freqüentar a cidade ainda é inevitável, e uma vez solto na selva de pedra, todos nós somos alvos em potencial.
À medida em que nos afastamos do espaço público abrimos brecha para que todo tipo de violência e descaso povoe esses lugares. Por que motivo o estado forneceria segurança a uma praça pública moribunda? Quando nos afastamos do espaço público pagamos um preço muito caro por isso, e não adianta teorizar e exigir melhorias de dentro de nossas casas, no conforto do nosso lar. Para o espaço público voltar a ser público é preciso que os cidadãos provem que esse espaço é importante pra sociedade, caso contrário, nada será alterado. O ciclo que começou com a iluminação eficiente dos espaços públicos, que enfim foram descobertos e desfrutados, parece entrar numa nova era. Dessa vez, de degeneração, pelo menos dentro da realidade social brasileira e baiana (Soteropolitana) especificamente, pois cada sociedade se relaciona de forma distinta com os seus espaços comuns, impossibilitando qualquer tipo de generalização.
O “projeto condomínio” é uma idéia que já nasce morta, ou pronta para matar a “cidade real” que será cada vez mais ocupada pela intolerância e informalidade. Não importa se a cidade está entregue às traças, ou mal iluminada, ou sem a mínima segurança, pois de dentro dos muros rodeados por câmeras e cercas elétricas a realidade é mais branda. É como se o problema fosse sempre do outro, e enquanto o outro não apresenta soluções, cada um cria a sua. Crianças criadas nesses condomínios não estão sendo preparadas para enfrentar o mundo, mas para fugir dele. A cidade será uma estranha para essa geração que nasce junto com a internet e os condomínios superestruturados. Ir à “cidade real” corre o risco de se tornar uma grande aventura, onde cada passo pode ser o último e cada esquina terá cheiro de morte. Dessa maneira não pode haver ligação íntima entre cidade e cidadão, que propiciaria o ânimo para cada um cuidar e proteger aquilo que é bem comum de todos. Não podemos conhecer um país se não caminharmos tranquilamente sobre as suas ruas, não podemos criar vínculos afetivos sem o contato e a convivência.
Quem pode paga por uma cidade segura (condomínios), quem não pode se contenta com a “cidade real” – separatismo evidente, e para muitos, inevitável. Dentro do espírito individualista de ver o mundo o espaço público é descartável, ou melhor, é a morte de qualquer coisa que simbolize a coletividade, palavra que está mudando de significado constantemente e que talvez, nesse momento da história, esteja passando por uma de suas mais significativas mutações. O que hoje para nós significa coletividade, amanhã não terá mais sentido, sendo assim, a própria performance em questão passará a ser analisada através de outra perspectiva, quando novos conceitos e significados serão incorporados e emitidos pela própria sociedade, como a coletividade virtual, que suga as pessoas da vida urbana real, apesar de também apresentar seus benefícios.
Há uma frase interessante do cineasta Gustavo Acioli que não sei definir exatamente se é um pensamento otimista, ou pessimista. Talvez as duas coisas, é como a história do copo meio-cheio, ou meio-vazio, depende do ponto de vista de cada um. A frase diz o seguinte: "As chances das coisas melhorarem, são iguais as chances das coisas piorarem."
Quem define o rumo dos acontecimentos é o coletivo, e se hoje vivemos essa realidade a culpa recai sobre cada um de nós, inclusive sobre o artista que vos escreve, tão torpe e complacente quanto qualquer um.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Projeto blog para artistas baianos

VVIINP - Projeto blog para artistas baianos que trafegam pelas possibilidades do vídeo, seja como linguagem ou como forma de registro de performances e intervenções urbanas e não urbanas.
Visite e participe.
http://vviinp.blogspot.com/
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Vitor Borges
Nem a mais pura verdade é capaz de convencer todos os homens. Talvez por isso tantas mentiras sejam ditas.
Se passarmos a concordar com tudo aquilo que discordamos, sempre surgirá alguém para dizer que estamos equivocados.
O ser humano que alcançar toda sabedoria do mundo suicida-se no dia seguinte.
Se passarmos a concordar com tudo aquilo que discordamos, sempre surgirá alguém para dizer que estamos equivocados.
O ser humano que alcançar toda sabedoria do mundo suicida-se no dia seguinte.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Anton Tchékhov
"As obras de arte dividem-se em duas categorias: as de que gosto e as de que não gosto. Não conheço outro critério."
Theodor Adorno
"A grandeza de uma obra de arte está fundamentalmente no seu caráter ambíguo, que deixa ao espectador decidir sobre o seu significado."
sábado, 20 de dezembro de 2008
Público Protagonista - Intervenção Urbana de Vitor Borges - 2008
caso não consiga assistir, clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=UxvQ73Rc8HU
sábado, 6 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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